Quem acompanha o mercado de picapes no Brasil sabe que a eletrificação ainda engatinha nesse segmento, e é justamente por isso que a GWM Poer P500 merece atenção. Trata-se da picape híbrida plug-in de luxo que a GWM já vende no México e no Chile e que, segundo a imprensa especializada brasileira, deve desembarcar por aqui em 2027. Antes de qualquer empolgação, porém, um aviso importante: até a publicação deste texto, a GWM Brasil não anunciou oficialmente o modelo. Por isso, separei com cuidado o que é dado oficial da marca e o que ainda é apuração ou expectativa.
Na minha avaliação, o assunto é relevante por um motivo simples: a GWM prometeu, lá em 2023, uma picape híbrida flex feita no Brasil, e o que chegou às lojas foi a Poer P30 a diesel. Uma Poer eletrificada seria, de certa forma, o cumprimento daquela promessa, ainda que por outro caminho.
O que é oficial e o que ainda é rumor sobre a GWM Poer P500
Vale começar pelo histórico. Em janeiro de 2023, a GWM Brasil apresentou em Iracemápolis (SP) uma Poer camuflada e afirmou, em comunicado oficial da GWM Brasil, que ela seria a primeira picape híbrida produzida no país, com motorização flex. A picape nacional que de fato chegou, a Poer P30, usa motor 2.4 turbodiesel.
Agora, o cenário é este:
- Oficial (fora do Brasil): a GWM México lançou a Poer 500 PHEV Hi4-T em agosto de 2025, em três versões, e a GWM Chile publicou a ficha técnica da Poer P500 com data de setembro de 2026.
- Apuração da imprensa brasileira: em 13 de outubro de 2026, o site Autos Segredos informou que a GWM venderá a picape no Brasil em 2027, possivelmente com o nome P50 e com o conjunto híbrido plug-in flex do Tank 300. A informação foi repercutida por Terra, Carnow e iG Carros.
- Ainda sem confirmação: nome comercial, versões, lista de equipamentos, se será importada ou montada em Iracemápolis e, claro, o preço no Brasil.
Ou seja, a existência do produto é fato; a chegada ao Brasil, por enquanto, é expectativa bem fundamentada, mas não compromisso público da fabricante.
Ficha técnica da GWM Poer P500 PHEV: o que os números significam
Os dados abaixo vêm da ficha técnica oficial da GWM Chile e do comunicado de lançamento da GWM México. Eles valem para esses mercados e podem mudar na versão brasileira, sobretudo se ela for adaptada ao etanol.
- Conjunto Hi4-T: motor 2.0 turbo a gasolina com 241 hp, somado a um motor elétrico de 161 hp integrado ao câmbio automático de nove marchas.
- Potência e torque combinados: 402 hp e 750 Nm. A GWM México informa 0 a 100 km/h em 6,9 segundos.
- Bateria: 37,1 kWh, de lítio ternário, com até 115 km de autonomia elétrica e 1.060 km de autonomia combinada, ambos no ciclo europeu NEDC.
- Recarga: de 30% a 80% em 24 minutos num carregador rápido de 50 kW; de 15% a 80% em 6,5 horas num carregador de parede de 7 kW. Há conectores tipo 2 e CCS.
- Tração: 4×4 mecânica com reduzida, bloqueios eletrônicos de diferencial e, segundo a GWM México, 11 programas de condução fora de estrada.
- Dimensões: 5.445 mm de comprimento, 1.991 mm de largura, 1.924 mm de altura e 3.350 mm de entre-eixos, com 232 mm de distância livre do solo e tanque de 75 litros.
- Trabalho: a ficha chilena indica 1.050 kg de capacidade de carga com passageiros e 2.500 kg de reboque com freio.
Traduzindo para o dia a dia: 115 km no ciclo NEDC costumam encolher bastante nas medições mais rigorosas, como a do Inmetro, mas ainda assim a bateria da GWM Poer P500 é grande o bastante para cobrir o trajeto casa-trabalho de muita gente sem acionar o motor a combustão. O que mais me chamou a atenção, no entanto, é a arquitetura: diferentemente de muitas picapes eletrificadas, a Hi4-T mantém tração 4×4 mecânica, caixa de transferência e bloqueios, além de poder rodar só com o motor a gasolina quando a bateria acaba. Isso é o que separa uma picape de lazer de uma picape realmente capaz fora do asfalto.
Há também, na GWM Poer P500, a função V2L, que permite alimentar equipamentos externos com a energia da bateria, algo muito útil em acampamentos, obras ou no campo.
Um ponto de atenção: a imprensa brasileira cita 394 cv e 76,5 kgfm, números atribuídos ao conjunto flex do Tank 300, além de 22,3 cm de vão livre, enquanto a ficha chilena informa 232 mm. Até a GWM Brasil publicar a própria ficha, trate esses valores como estimativas para o nosso mercado.
Fotos da GWM Poer P500 PHEV



Para quem a picape híbrida plug-in é indicada
Pelo pacote divulgado lá fora, a GWM Poer P500 mira um público bem específico. Ela faz sentido para:
- quem usa a picape como carro principal da família, roda bastante na cidade e tem onde recarregar em casa ou no trabalho;
- produtores rurais e empresários que querem uma picape de cabine luxuosa, mas sem abrir mão de reduzida e bloqueios;
- quem puxa barco, trailer ou cavalos com frequência, já que a capacidade de reboque declarada é de 2.500 kg;
- entusiastas de tecnologia que valorizam head-up display, central de 14,6 polegadas, painel digital de 12,3 polegadas e um pacote completo de assistentes de condução.
Por outro lado, ela tende a não ser a melhor escolha para quem roda longas distâncias diárias em estrada sem acesso a recarga, porque aí o motor a gasolina trabalha o tempo todo e a vantagem do sistema plug-in diminui. Também não é a opção ideal para frotas que priorizam custo baixo e manutenção simples: o conjunto é sofisticado e deve ter preço de picape topo de linha.
Vantagens e desvantagens
Vantagens
- Desempenho forte no papel, com 402 hp combinados e 750 Nm, segundo a GWM;
- bateria de 37,1 kWh, uma das maiores entre as picapes híbridas plug-in conhecidas;
- 4×4 mecânica de verdade, com reduzida e bloqueios de diferencial;
- recarga rápida em corrente contínua e função V2L;
- cabine bem equipada nos mercados vizinhos, com bancos ventilados, aquecidos e com massagem, som Infinity e dois carregadores por indução.
Desvantagens
- nada confirmado oficialmente pela GWM Brasil até agora, nem prazo, nem versões, nem preço;
- autonomia elétrica medida no ciclo NEDC, que costuma ser otimista;
- dimensões de picape grande, com mais de 5,4 metros de comprimento, o que pesa em garagens e estacionamentos urbanos;
- números de carga útil divergentes entre mercados: a GWM México fala em 645 kg, enquanto a ficha chilena indica 1.050 kg com passageiros;
- a imprensa sugere que a GWM Poer P500 seria importada da China, o que pode encarecer o produto.
GWM Poer P500 x BYD Shark x Poer P30
A rival natural é a BYD Shark, a picape híbrida plug-in que já está à venda no Brasil. Ela tem 437 cv combinados, bateria de 29,6 kWh e 68 km de autonomia elétrica no padrão do Inmetro, com preço público sugerido pela BYD de R$ 344.990* para a versão GS. A Shark é mais rápida no papel, mas a GWM Poer P500 compensa com bateria maior e uma proposta fora de estrada mais tradicional, com reduzida e bloqueios.
Dentro de casa, a referência é a GWM Poer P30 2027, produzida em Iracemápolis com motor 2.4 turbodiesel de 184 cv. Segundo a GWM, a linha 2027 vai de R$ 205.000* na versão Pro a R$ 250.000* na Exclusive com teto solar. A P500 seria posicionada acima dela, tanto em tamanho quanto em tecnologia, e deve custar mais. Para quem gosta do conjunto Hi4-T, vale ler também o que já sabemos do GWM Tank 400, SUV que aposta numa receita parecida de eletrificação com robustez.
Veredito: vale esperar pela GWM Poer P500?
Pelo que a GWM mostra no México e no Chile, a GWM Poer P500 é uma das picapes híbridas plug-in mais completas do mundo hoje: muita potência, bateria generosa, tração 4×4 mecânica e uma cabine digna de SUV de luxo. Para o Brasil, um país que gosta de picape e tem etanol à disposição, uma versão flex desse conjunto faria muito sentido.
Ainda assim, minha recomendação é cautela. Se você precisa trocar de picape agora, a P500 não deve ser motivo para adiar a compra, porque não há data, preço ou ficha brasileira oficiais. Se o seu plano é para 2027 e você quer eletrificação sem perder capacidade fora de estrada, vale acompanhar de perto. Quando a GWM Brasil se pronunciar, atualizamos as informações por aqui.
Perguntas frequentes sobre a GWM Poer P500
A GWM Poer P500 será vendida no Brasil?
A imprensa especializada informa que sim, em 2027, mas a GWM Brasil ainda não confirmou oficialmente o lançamento até a data de publicação deste artigo.
Quanto vai custar a GWM Poer P500 no Brasil?
Não há preço oficial para o Brasil. A expectativa é que ela fique acima da Poer P30, que, segundo a GWM, chega a R$ 250.000* na versão mais cara.
Qual é a autonomia elétrica da picape?
Segundo as fichas oficiais da GWM no México e no Chile, são até 115 km no modo elétrico e 1.060 km de autonomia combinada, ambos no ciclo NEDC.
A GWM Poer P500 terá motor flex?
A apuração da imprensa indica que a versão brasileira usaria o conjunto híbrido plug-in flex do Tank 300, mas isso ainda depende de confirmação da GWM.
A GWM Poer P500 tem tração 4×4 com reduzida?
Sim. O sistema Hi4-T usa tração 4×4 mecânica com reduzida e bloqueios eletrônicos de diferencial, conforme a página oficial da GWM Chile.
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* Os preços citados foram capturados de sites oficiais e fontes públicas no momento da publicação do post e podem mudar. Recomendamos consultar o site oficial do fabricante para os valores atuais.
